quarta-feira, 8 de abril de 2026

Hafez de Shiraz e o gazel

 Hafez de Shiraz e o gazel





Shams-ud-Din Muhammad Hāfez-e Širāzi,  nasceu em Shiraz, na Persia. Ficou conhecido como Hafez, o que recorda, pois decorou todo o Alcorão, viveu nos anos 1320 a 1389 EC, e possuía um talento excepcional nas áreas  da filosofia mística, poesia e teologia.


Provocou uma revolução na poesia persa ao introduzir na forma do "ghazal" (poema curto e amoroso, clássico nos trovadores persas e árabes) vários temas numa mesma composição sem perder a harmonia e o ritmo. 


Pelas incursão teológica de sua formação filosófica, O eu lírico, ocupava a posição do amante dedicado, sendo correspondido ou não. Parte de sua poética faz uso deliberado da polissemia existente no léxico poético persa, gerando incerteza e  indefinição. Seus versos, que podem ser lidos ora como odes ao amor romântico, e ora como reflexões espirituais, o que o distingue de poetas como Rumi. A ambiguidade inicialmente foi contestada pela ortodoxia e algumas vezes o poeta foi acusado de sensual e herético para os detentores de pouco conhecimento sobre o Sufismo. Por sua vez, Hafez de Shiraz não se cansou de ridicularizar a falsa piedade, a hipocrisia religiosa e a retórica racionalista. 


Por fim, os elementos essenciais da temática da poesia de Hafez, o gazel, tem como objetivo explorar o amor e a separação, onde a figura do ser amado tem grande importância. O eu lírico geralmente exalta a beleza de um amado, e lamenta a sua própria insuficiência como pretendente aos seus afetos, assim como sua separação dele. O amado geralmente é arrogante ou indiferente, na pior das hipóteses sendo beligerante e provocador. 


Observação:

Esse poeta tornou-se muito popular no mundo árabe, sendo também conhecido no Ocidente, embora as informações sobre sua vida sejam poucas, porém pela sua poesia inovadora, ele não pode ser enquadrado categoricamente como poeta místico apesar da presença da espiritualidade e do misticismo contidos na sua obra. 



Gazel 1


Vem e traz a taça, copeiro, derrama e circula esse vinho!
Porque o amor parecia fácil, mas logo veio o descaminho.

A brisa sopra em seu rosto, traz o almíscar dos seus cabelos:
Como sangram os corações, por esse momento tão ínfimo.

Tinge com vinho o teu tapete, se assim disser o velho mago.
Deve entender, o peregrino, as leis e estâncias do caminho.

Na estância do meu bem-amado, como posso encontrar alento?
Ora já bradam os cincerros: a caravana está partindo.

As trevas e as ondas ferozes, o vendaval e o turbilhão!
Que sabe desse nosso estado, quem vê da terra o mar bravio?

Desejos guiaram meus feitos, e meu bom nome foi desfeito!
Como manter esse segredo, se nos saraus já é sabido?

Se ainda queres sua presença, ó Hafez, não te escondas dele!
Quando lograres encontrá-lo, faz do mundo um desconhecido.




Túmulo de Hafez (também conhecido como Hafezieh), localizado em Shiraz, no Irã. 

Hafez de Shiraz e o gazel

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